Rancho Tech News #2: Sorocaba inovando em data centers, CISA pedindo adeus ao C++ e o mercado dev em 2025
Sorocaba inovando em data center, CISA pedindo o fim do C++, e o mercado tech com vaga sobrando pra quem se qualifica em 2025.
Por Eduardo Viana Pessoa

Rancho Tech News #2
Voltei depois de uma semana fora. Fui pra Los Angeles com a câmera e uma lista de coisas pra gravar, mas peguei justamente o início dos incêndios florestais. Áreas de evacuação, qualidade do ar péssima, restaurantes e lojas tudo fechado. Não rolou praticamente nada do que tava planejado. Em compensação, tem notícia boa do Brasil essa semana, inclusive uma do interior paulista (a minha região).
🇧🇷 Sorocaba inovando em data centers
Vai por mim, essa daqui você quer ver. A cloudvBOX, startup sediada no Parque Tecnológico de Sorocaba, lançou o vBOX EDGE. É um micro data center modular com um sistema de resfriamento híbrido próprio chamado envAdpat, que usa aditivos da Shell. Os números chamam atenção: até 95% de redução nos custos de refrigeração e até 48% de economia no consumo total de energia em relação a data centers tradicionais.
Por que isso pega? Hoje, cerca de 17% da energia gerada no Brasil é consumida por data centers, e o consumo de água pra refrigeração no país passa de 75 bilhões de galões por ano. Pra você ter dimensão: isso equivale ao consumo diário de 15 mil cidades de 50 mil habitantes. E com o boom da IA generativa e da computação em nuvem, esse número só tende a crescer.
Iniciativas como o vBOX EDGE são o tipo de coisa que faz tecnologia e sustentabilidade andarem juntas. E pra quem é do interior paulista que nem eu (sou de Fernandópolis), ver Sorocaba liderando essa frente é especialmente bacana. Hoje a cidade tem 87 startups cadastradas pelo Sebrae, sexta colocada no estado. A cloudvBOX, inclusive, tem parceiros pesados: Intel, AMD, Shell e Gigabyte. Vale acompanhar.
🦀 CISA e FBI dizendo "chega de C++"
Em novembro de 2024, a CISA (a agência de cibersegurança do governo americano) e o FBI publicaram um relatório chamado Product Security Bad Practices. O recado é direto: continuar desenvolvendo novos produtos em linguagens memory-unsafe como C e C++ pra infraestrutura crítica é, na visão deles, uma prática perigosa que aumenta significativamente o risco à segurança nacional.
A recomendação é migrar pra linguagens memory-safe. As sugeridas são Rust, Go, Python, Java, C# e Swift. Pra empresas que trabalham com infraestrutura crítica, o prazo pra publicar um roadmap de transição é 1º de janeiro de 2026.
Importante separar: isso não é o "fim do C++". C e C++ continuam dominando sistemas operacionais, embarcados, jogos e tudo que depende de performance bruta. Migrar base legada também não é trivial. Basta ver a briga interna no kernel do Linux sobre integrar Rust. Mas o sinal tá dado: se você ainda não experimentou Rust, talvez seja a hora.
Rapidamente sobre Rust pra quem nunca olhou: é uma linguagem de sistemas, performática como C++, com garantias de segurança de memória direto no compilador. Começou como projeto pessoal do Graydon Hoare em 2006, ganhou tração quando a Mozilla bancou o desenvolvimento por mais de uma década, e hoje é mantida pela Rust Foundation. Aparece como linguagem mais amada há vários anos seguidos na pesquisa do Stack Overflow, e está sendo integrada gradualmente ao kernel do Linux, ao Android (AOSP) e a sistemas da Microsoft.
Pegando o gancho, vale falar de WebAssembly (WASM). Ele permite executar código escrito em C, C++ e Rust direto no navegador, com desempenho próximo do nativo. Aplicações web mais pesadas como edição de vídeo, CAD, jogos e processamento de imagem ficam viáveis. Outra coisa pra deixar no radar.
💼 Mercado de trabalho em 2025
Quem foi afetado pelos layoffs de 2022 e 2023 (eu fui um deles), as projeções pra 2025 são animadoras. A Brasscom projeta entre 30 mil (cenário conservador) e 147 mil (cenário otimista) novos empregos formais no setor de TIC no Brasil em 2025. Globalmente, o CompTIA Tech Jobs Report de janeiro/2025 fala em crescimento de 3,5% em contratações de tech ao longo do ano.
O dado que mais me chama atenção é outro, porém: o Brasil tem hoje um déficit de 30,2% entre oferta e demanda de profissionais de tecnologia. Entre 2019 e 2024, a indústria precisou de 665 mil profissionais, mas só 464 mil se formaram. Ou seja, tem vaga sobrando pra quem tem qualificação. As áreas com mais demanda hoje são cibersegurança, desenvolvimento de software, cloud e IA.
Sobre salários (e essa é uma faixa que varia MUITO de empresa pra empresa, então leva como referência, não como regra):
Júnior: geralmente de 1 a 5 salários mínimos, dependendo de stack e tipo de empresa
Pleno: faixa de R$ 4.000 a R$ 9.000 é o que mais aparece
Sênior: depende muito da empresa. Quem trabalha com consultorias internacionais recebendo em dólar ou euro passa fácil de R$ 20-30 mil (lembrando que é bruto, o IR pesa)
É um momento bom pra quem quer entrar na área ou subir de nível. As frentes emergentes (IA generativa, computação quântica, Rust, edge computing) tão criando oportunidade nova toda semana.
Próximos passos por aqui:
Em breve sai o curso de lógica de programação pra quem quer ingressar na área. Vou estar no Brasil por algumas semanas, então a frequência de vídeos pode oscilar, mas o plano é manter pelo menos um por semana. Depois do curso de lógica, pretendo soltar uma série de Android também.
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Até semana que vem. 🤠
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